Design

Design de Superfície, repeat patterns e softwares

Como já foi dito em post anterior, quando falamos em Design de superfície, não obrigatoriamente estamos tratando de padronagens corridas. No entanto, a repetição de um módulo infinitamente — estampa corrida, como também é normalmente denominada — é a primeira lembrança que temos quando usamos o termo “Design de Superfície”.

Para criar Design de superfícies com motivos que se repetem infinitamente, é necessário estabelecer um módulo e um sistema de repetição. Nos casos mais simples a repetição é percebida, e o encaixe de um módulo no outro fica visível.

Porém, se precisamos fazer uma estampa corrida com desenhos mais complexos, o planejamento de encaixes é fundamental. Antes de existirem softwares, como Photoshop, Illustrator, Corel Draw, Gimp, Affinity e outros, esse planejamento era bastante trabalhoso e era útil desenhar sobre uma malha de quadrados, triângulos, ou outras figuras geométricas.

Recentemente comprei um livro que mostra detalhadamente como funcionavam essas malhas geométricas e a composição de padronagens sobre elas. Muito interessante! (dá uma olhadinha aqui: https://www.instagram.com/p/ByDMkKegXXc/ )

Recentemente a Adobe lançou um plugin para o Photoshop — O Adobe Textile — que é específico para o trabalho com padrões repetidos. Facilitará a vida de quem precisa produzir estampas rapidamente. Por outro lado, cada vez que o processo se torna mais fácil, também se torna mais massificado, com muitas estampas de baixa qualidade. Embora seja difícil definir o que é baixa ou alta qualidade, penso que o que irá diferenciar um bom projeto de estampa são estudos que acontecem fora do computador. Fundamental ter algum entendimento sobre composição visual e teoria das cores, além de outros “treinamentos” que podemos fazer apurando a observação para muito do que vemos no nosso dia a dia.

Experimentando o Zazzle

Tenho muitas estampas prontas e também artes antigas, feitas à mão, em lápis de cor, tinta acrílica ou nanquim. Resolvi aplicar nos produtos da Zazzle. A minha loja é a Sorvete Colore – Comecei com esta imagem, que é uma pintura em acrílica sobre tela de 60 x 80 cm. Achei que ficou bem bonita!

Design de Superfície não é apenas decorativo.

Em um projeto da escola de Arquitetura Bartlett, em Londres, pesquisadores desenvolveram um sistema de ladrilhos incrustados com algas capazes de filtrar elementos químicos e metais pesados da água. Além do objetivo prático, os projetistas não deixaram por menos a estética. A parede de ladrilhos é linda e se torna um elemento decorativo. Veja o artigo completo em:

Design de Superfície e Rapport

O termo rapport se refere à repetição que permite a continuidade infinita de um desenho sobre uma superfície. Para estampar, ou revestir uma superfície, nem sempre é obrigatório fazer um desenho com rapport. Pode-se planejar uma estampa localizada ou uma estampa falso-corrida.

A estampa localizada é uma imagem aplicada em um ponto específico da peça. A estampa com rapport tem um módulo que se repete infinitamente sobre a área. Já, a estampa falso-corrida dá uma impressão de que o desenho não se repete, quando na verdade o que ocorre é que o módulo de repetição é maior do que a peça.

Dois artistas brasileiros que gosto muito desenham superfícies com grande quantidade de elementos, muitas vezes, sem usar rapport. São eles Guilherme Marconi https://www.behance.net/marconi e Ana Anjos https://www.annaanjos.com/ .

Embora os elementos se repitam no projeto, não se repetem com rapport.

O rapport é realmente necessário para superfícies que vão ser repetidas em grandes extensões como, por exemplo, tecidos produzidos em grandes metragens e rolos de papel de parede.

Conifera – Estrutura impressa em 3D – Arthur Mamou-mani

Instalação de Arthur Manou-Mani, no Salone del Mobile , 2019, Milan
Instalação de Arthur Manou-Mani, no Salone del Mobile , 2019, Milan

Arthur Mamou-Mani é arquiteto formado, em 2008, pela Architectural Association School of Architecture e mestre pela Universidade de Westminster.  Trabalhou no Atelier Jean Nouvel, na Zaha Hadid Architects e na Proctor & Mattews Architects antes de criar seu próprio escritório. Arthur também foi professor de projeto paramétrico e simulação ambiental e estrutural na London Metropolitan University. Também é professor de Grasshopper 3D da Simply Rhino ltd.

Seu trabalho na criação de superfícies produzidas em 3D para a Arquitetura começou com um projeto de 2008 para uma intervenção na sede do Partido Comunista Francês, obra de Oscar Niemeyer. Pode ser visto neste link https://issuu.com/hortensia/docs/greenrered_hortensia

Seu mais recente projeto, denominado Conifera, feito com colaboração da grife de moda COS, é uma instalação feita no Salone del Mobile 2019, em Milão. A estrutura é impressa em 3D num material que combina madeira e bioplastico. Apresenta uma leveza que contrasta e ao mesmo tempo se integra, com a beleza do Palazzo Isimbardi onde está implantado. Veja que lindo, no vídeos: https://www.cosstores.com/en_gbp/explore/projects/event/cos-x-mamou-mani.html

https://mamou-mani.com/project/cos/

Outros projetos do arquiteto podem ser vistos no Vimeo em:

https://vimeo.com/user3392180

Arthur Mamou-mani já esteve em São Paulo na FILE, liderando workshops de design digital. https://file.org.br/

Projeto no papel quadriculado

Imaginar estampas é um processo infinitamente livre, porém se você, como eu, tem um interesse por motivos geométricos experimente a delícia de brincar com papel quadriculado. Pode funcionar como meditação, ou como um passa-tempo bem mais interessante do que fuçar abobrinhas no celular. Seu projeto pode ser depois digitalizado e transformado em algo viável. Foi com inspiração em trabalhos de Anni Albers, que citei no post anterior, que eu desenvolvi esta aqui. A pintura com marcadores tipo Copic, estão feitas de forma rápida, já que neste caso se trata de um rascunho. Caso queira fazer um bem caprichado, talvez seja melhor usar lápis de cor macio. O meu caderno comprei no site da Cícero, que tem capas com estampas de vários designers e papel de boa qualidade, mas em qualquer papelaria é possível encontrar cadernos quadriculados simples, que as crianças usam para Matemática. © Lucilia Alencastro, 2019.

A arte têxtil de Anni Albers

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/103707855@N05/25650509411

Anni Albers foi uma artista nascida na Alemanha que se dedicou principalmente à arte têxtil. Ela iniciou seus estudos na Escola Bauhaus, onde conheceu o mestre Josef Albers, com quem se casou em 1925.

Josef Albers, pintor e professor, dedicou parte da sua vida aos estudos sobre a percepção cromática, dando ênfase na relação entre as cores.  Seus experimentos para estudar e ensinar cor, deram origem ao livro A Interação da Cor (Albers, Josef. A Interação da Cor. São Paulo: Martins Fontes, 2009) Sua obra mais conhecida é a série “Homenagem ao Quadrado”.

Entre as décadas de 1930 e 1940, o casal residiu no México e várias vezes estiveram em viagem por toda a América Latina de onde  Anni conseguiu grande parte da inspiração para seus trabalhos, ao estudar com profundidade a arte têxtil dos povos locais. O trabalho desses artistas pode ser visto no site: https://albersfoundation.org/

Verão chegando e miçangas pra enfeitar

Entra verão, sai verão, mas ainda consigo me encantar com as pulseiras de micro teares e miçangas. Com essa técnica e suas variações são feitas bijuterias, bolsas e outros acessórios. Vai do gosto de quem faz, escolher as cores e desenhos. A era “hippie” já passou faz tempo, mas as pulseirinhas vem atravessando as gerações, sejam nos braços ou nos tornozelos, sempre lindas!
Fonte:https://www.etsy.com/listing/555307487/diamond-pattern-seed-bead-friendship?ref=related-1

Se quiser tem mais aqui: https://br.pinterest.com/pin/572097958905640790/